O Sistema Espeleológico do Dueça

Explorações 1998-2005

O colectivo de espeleólogos dos grupos CIES – Centro de Invertigação e Exploração Subterrânea (Coimbra), GPS – Grupo Protecção Sicó (Pombal), NEC – Núcleo de Espeleologia de Condeixa (Condeixaa-Nova) e SAGA – Sociedade dos Amigos das Grutas e Algares (Lisboa), vem desenvolvendo, desde 1998, trabalhos de exploração do Sistema Espeleológico do Dueça, considerado por muitos como um dos mais importantes e complexos sistemas cársicos do nosso país. Várias faixas etárias, experiências diferentes e conhecimentos técnicos diversos, dotaram este grupo de uma dinâmica que permitiu, ano após ano, novas conquistas na descoberta dos segredos do Rio Dueça. Actualmente estão referenciadas 15 cavidades como pertencentes ao Sistema Espeleológico do Dueça, totalizando cerca de 7000 m de galerias topografadas, numa área de aproximadamente 15 km2. Na Figura 1 são apresentadas as implantações topográficas destas cavidades, bem como as depressões e os vértices mais importantes. De entre as cavidades que compõem o sistema destacam-se o Soprador do Carvalho, a Gruta do Algarinho, o Sumidouro da Várzea e o Olho do Dueça, sendo esta a sua surgência principal.

Mapa Dueça
Figura 1 – Mapa Dueça

Enquadramento Geográfico e Geológico O Sistema Espeleológico do Dueça desenvolvese no sector mais setentrional do estreito maciço calcário Castelo do Sobral-Alvaiázere (ver Figura 2). Juntamente com o maciço de Condeixa-Sicó, e separados por uma complexa zona de fracturação e dobramento, estas duas sub-unidades geomorfológicas de calcários calcomargosos e calcodolomíticos, correspondem às chamadas Serras e Planaltos Calcários de Condeixa-Sicó-Alvaiázere (CUNHA, 1988). Este sistema situa-se no concelho de Penela, distrito de Coimbra, num sector de grande complexidade morfológica e estrutural, com fracturas de orientação diversa a condicionarem os afloramentos de calcários dolomíticos (Liásico Inferior), de margas e calcários margosos (Liásico Médio e Superior) e de calcários (Dogger). Esta zona onde o sistema se desenvolve encontra-se actualmente quase isolada do resto do maciço em termos de circulação cársica subterrânea, excepto a SW, onde um istmo de calcários o liga ainda a este. A Este, os calcários fazem contacto com os xistos do Maciço Hespérico ao longo de uma zona de intensa fracturação de orientação N-S. A Norte, NNW, S e SSE, a erosão normal e cársica levaram ao total desmantelamento da parte superior da estrutura anticlinal, deixando expostas margas liásicas, pouco carsificáveis e permeáveis. A evolução do nível de base na orla do afloramento apresenta uma história complexa, só possível de estudar após uma futura síntese dos trabalhos espeleológicos em curso. É no entanto possível afirmar que esta teve uma importância determinante na génese e evolução das galerias do sistema, o qual é formado por um intrincado cruzamento de perdas-resurgências, em diferentes estágios de actividade hídrica (NEVES, et al., 2003).

Figura 2
Sistema Espeleológico do Dueça
Logos
CIES NEC GPS SAGA

Anúncios